Para usufruir de todas as funcionalidades deste site necessita de ter o Javascript activado!

Previsões económicas da primavera de 2018: Prosseguirá a expansão, não obstante os novos riscos

lundi , 14 mai 2018

As taxas de crescimento da UE e da zona euro ultrapassaram as expectativas em 2017, atingindo o nível mais alto dos últimos 10 anos (2,4 %). Este sólido desempenho deverá prosseguir em 2018 e abrandar apenas ligeiramente em 2019, prevendo-se taxas de crescimento de 2,3 % e 2,0 %, respetivamente, tanto na UE como na zona euro.

O consumo privado continua dinâmico, e as exportações e o investimento aumentaram. O desemprego continua a diminuir, estando atualmente próximo dos níveis anteriores à crise. No entanto, a economia está mais exposta a fatores de risco externos, que são mais intensos e mais desfavoráveis.

O forte crescimento tem vindo a facilitar uma redução adicional do défice público e dos níveis de dívida, bem como uma melhoria das condições do mercado de trabalho. O défice agregado da zona euro é atualmente inferior a 1 % do PIB e prevê-se que este ano se situe abaixo de 3 % em todos os Estados-Membros da zona euro.

Valdis Dombrovskis, Vice-Presidente responsável pelo Euro e Diálogo Social, bem como pela Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais, declarou: «A expansão económica na Europa deverá prosseguir a bom ritmo este ano e no próximo, apoiando a criação de emprego. No entanto, no horizonte perfilam-se também riscos cada vez mais significativos. Por esta razão, deveríamos aproveitar a atual conjuntura favorável para tornar as nossas economias mais resilientes. Tal significa criar reservas orçamentais, reformar as nossas economias para promover a produtividade e o investimento, bem como tornar o nosso modelo de crescimento mais inclusivo. Significa também reforçar os alicerces da nossa União Económica e Monetária.»

O Comissário responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, Pierre Moscovici, afirmou: «A Europa continua a beneficiar de um crescimento robusto, que permitiu reduzir o desemprego para o nível mais baixo dos últimos dez anos. O investimento está a aumentar e a situação das finanças públicas está a melhorar, prevendo-se que o défice da zona euro diminua para 0,7 % do PIB este ano. O principal risco que ameaça estas perspetivas tão otimistas é o protecionismo, que não pode converter-se na nova normalidade: só poderia prejudicar aqueles de entre os nossos cidadãos que mais necessitam de proteção.»

O crescimento permanecerá forte, mas com uma ligeira desaceleração

Em 2017, o crescimento real do PIB atingiu 2,4 % na UE e na zona euro, à medida que a economia passava para uma velocidade superior. O crescimento foi favorecido por um elevado nível de confiança dos consumidores e das empresas, um crescimento mais forte a nível mundial, baixos custos de financiamento, balanços mais robustos do setor privado e melhores condições no mercado de trabalho. Embora os indicadores de curto prazo indiquem uma desaceleração da atividade no início de 2018, esta deve, contudo, ser de natureza parcialmente temporária.

O ritmo de crescimento deve manter-se elevado, graças a um consumo sustentado e ao dinamismo das exportações e do investimento. Segundo as previsões, tanto a UE como a zona euro deverão crescer 2,3 % este ano. Em ambas as zonas prevê-se uma desaceleração para 2,0 % em 2019, à medida que aumentam os pontos de estrangulamento já percetíveis em alguns países e setores, a política monetária é adaptada às circunstâncias e o crescimento do comércio mundial regista um ligeiro abrandamento.

Com o emprego a um nível historicamente elevado, alguns mercados de trabalho estão em dificuldades

O desemprego continua a diminuir, estando atualmente próximo dos níveis anteriores à crise. Na UE, espera-se que o desemprego continue a decrescer, de 7,6 % em 2017 para 7,1 % em 2018 e 6,7 % em 2019. Na zona euro, as previsões apontam para uma redução, de 9,1 % em 2017 para 8,4 % em 2018 e 7,9 % em 2019.

O número de pessoas em atividade na zona euro atinge atualmente o nível mais elevado desde a introdução do euro, mas persiste a falta de dinamismo do mercado de trabalho. Muito embora em alguns Estados-Membros a taxa de desemprego ainda seja elevada, noutros já começa a ser difícil preencher as vagas de emprego.

A inflação deverá aumentar lentamente, sob o efeito do reforço das pressões subjacentes

A inflação dos preços no consumidor abrandou no primeiro trimestre do ano, mas prevê-se que aumente ligeiramente nos próximos trimestres, devido, em parte, à subida recente dos preços do petróleo. As pressões inflacionistas subjacentes estão também a aumentar, em resultado de mercados de trabalho mais restritivos e de um aumento mais rápido dos salários em muitos Estados-Membros. De um modo geral, a inflação na zona euro em 2018 deverá manter-se ao mesmo nível de 2017, isto é, 1,5 %, e em seguida aumentar para 1,6 % em 2019. Na UE, espera-se a mesma tendência, mas com a taxa de inflação a manter-se a 1,7 % no corrente ano, antes de aumentar para 1,8 % em 2019.

Melhoria das finanças públicas, sem défices superiores a 3 % do PIB

Em 2017, o défice orçamental agregado e a dívida pública da zona euro diminuíram em percentagem do PIB, graças ao forte crescimento económico e às baixas taxas de juro. Os orçamentos dos Estados-Membros deverão beneficiar dos efeitos da melhoria das condições do mercado de trabalho, nomeadamente em termos de redução das prestações sociais, o que deverá fazer de 2018 o primeiro ano desde o início da União Económica e Monetária em que nenhum governo terá de gerir um défice orçamental superior a 3 % do PIB, como previsto no Tratado.

Prevê-se que o défice agregado das administrações públicas da zona euro desça para 0,7 % do PIB em 2018 e 0,6 % em 2019. Na UE, o défice agregado deverá ser de 0,8 % em 2018 e 2019. Espera-se que rácio dívida/PIB da zona euro diminua para 84,1 % em 2019, prevendo-se reduções em quase todos os Estados-Membros.

Os riscos para as perspetivas aumentaram e agravaram-se

Em termos globais, os riscos para as perspetivas aumentaram e prenunciam agora uma revisão em baixa. Na Europa, os indicadores recentes reduziram as probabilidades de o crescimento poder ser superior ao previsto a curto prazo. A nível externo, a volatilidade dos mercados financeiros verificada nos últimos meses passará provavelmente a ser um elemento mais permanente no futuro, o que levará a um aumento da incerteza. O estímulo orçamental procíclico nos EUA deverá estimular o crescimento a curto prazo, mas também elevar o risco de sobreaquecimento e a possibilidade de as taxas de juro americanas aumentarem mais rapidamente do que atualmente previsto. Além disso, uma escalada de protecionismo comercial representa um risco claramente negativo para as perspetivas económicas mundiais. Estes riscos estão interligados. Devido à sua abertura, a materialização destes riscos colocaria a zona euro numa situação especialmente vulnerável.

Relativamente ao Reino Unido, uma hipótese puramente técnica para 2019

A fim de permitir uma comparação no tempo, as projeções relativas à UE para 2019 constantes das previsões referem-se aos 28 Estados-Membros, incluindo o Reino Unido.

Tendo em conta as negociações em curso sobre as condições da saída do Reino Unido da UE, as projeções da Comissão para o período posterior ao Brexit assentam numa hipótese puramente técnica de manutenção do status quo nas relações comerciais entre a UE-27 e o Reino Unido. Esta hipótese serve apenas para efeitos de previsão e não tem qualquer influência sobre as conversações em curso no contexto do processo ao abrigo do artigo 50.º.

Contexto

As presentes previsões baseiam-se num conjunto de pressupostos técnicos em matéria de taxas de câmbio, taxas de juro e preços dos produtos de base à data de 23 de abril. Relativamente a todos os outros dados utilizados, incluindo os pressupostos relativos às políticas públicas, as presentes previsões têm em consideração as informações disponíveis até 23 de abril, inclusive. A menos que a adoção de novas políticas seja anunciada de forma credível e suficientemente pormenorizada, as projeções assentam num cenário de políticas inalteradas.

A partir deste ano, a Comissão Europeia voltará a publicar anualmente duas previsões completas (na primavera e no outono) e duas previsões intercalares (no inverno e no verão), em vez das três previsões completas, no inverno, na primavera e no outono, que tem vindo a apresentar desde 2012. As previsões intercalares contemplarão o PIB e a inflação anuais e trimestrais para o ano em curso e para os anos subsequentes em todos os Estados-Membros e na zona euro, bem como os dados agregados relativos à UE. Esta evolução representa um regresso ao anterior padrão das previsões da Comissão e alinha o calendário dessas previsões pelo calendário de outras instituições (por exemplo, o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional ou a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos).

As próximas previsões da Comissão Europeia serão as previsões económicas intercalares do verão de 2018, em julho.

Para mais informações

Documento completo: Previsões económicas da primavera de 2018

Comunicado de imprensa: Previsões Económicas Intercalares do Inverno de 2018: uma expansão sólida e duradoura

Documento completo: Previsões Económicas Intercalares do Inverno de 2018

Sétima - Tecnologias da Informação e Comunicação Lda